Uma ficção Histórico-Científica: Henri de Toulousse Parte 1

5 fevereiro, 2010 | em: Contos

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Caros leitores infames,

Já a algum tempo que nos vos presenteio com um conto, pois aqui vai um. Essa espécie de minissérie literária será publicada em três espisódios, hoje, sábado e domingo. Esepero que gostem da pequena trama e aguardo comentários! Paix sur vos.

Uma Ficção Histórico-Científica: Henri de Toulousse

Um estudante trabalhava concentrado em sua mesa no departamento de física de uma universidade conceituada, o suor lhe cobria a testa e bordejava os olhos que tentavam enxergar através dos óculos semi-embaçados. Era o último fio que precisava ser ligado, o tubo de oxigênio estava pronto para ser acoplado àquela espécie de cabine telefônica britânica. Não era na Inglaterra, era no Brasil, mas era um curso de graduação e era o trabalho de conclusão, o ápice da vida estudantil, o encontro de águas.

Ao longo de sua pesquisa o jovem rapaz descobrira uma rocha encontrada em pleno cerrado que continha uma partícula desconhecida aos elementos que aprendera na tabela periódica e que tão religiosamente sabia identificar. Era algo novo, ficou em estado de choque, sem saber como reagir, talvez por medo resolveu não publicar a descoberta, queria fazer um trabalho completo, saber dizer o que exatamente era aquilo e quais eram as suas propriedades. Até o desenrolar daquele momento, cerca de 30 horas antes havia compreendido tudo, o estranho comportamentos daqueles átomos peculiares lhe fez gelar a barriga ao compreender do que eram capazes: O deslocamento no eixo do tempo. Ali mesmo, naquele laboratório solitário batizou de “partículas cronos” em homenagem ao deus do tempo, Cronos, na mitologia grega.

Aquele era o momento de ver se a pilha de cálculos sobre a mesa estava certa, o cansaço castigava suas pernas que latejavam incessantemente pedindo repouso, mas em breve poderia descansar. Acoplou o pequeno tubo com partículas cronos puras no mecanismo que construíra, brilhavam e se movimentavam como se fossem pequeninos organismos cintilantes de cor azul como pequenas estrelas. Com o mapa da Europa nas mãos digitou as coordenadas do local que planejou, Toulouse, ano 999 d.C., não sabia exatamente o que aconteceria, mas se sua teoria estivesse certa um pequeno portal ou distorção espaço tempo, como gostava de chamar, abriria uma fenda na dimensão tempo e a colocaria em uma espécie de canal do passado com o presente, o que viria por esse canal é que não sabia muito bem o que seria.

Inicializou o computador e o aparato começou a funcionar, os leds piscavam incessantemente e o tubo com as partículas a se mexerem de um lado para o outro freneticamente, o gás injetado dentro da cabine criava uma cortina espessa de fumaça de modo que era impossível ver o que se passava lá dentro, apesar da imensa curiosidade o rapaz sabia que se abrisse o compartimento um choque atmosférico poderia ocorrer, e sua força seria o bastante para gerar um buraco negro absorvendo o laboratório, o campus, a cidade toda e sabe-se lá mais o quê.

O sibilar dos coolers e demais aparatos de arrefecimento do mecanismo estavam no máximo fazendo uma orquestra infernal, dentro da cabine luzes de variadas cores piscavam através da fumaça iluminando todo o sóbrio laboratório, o estudante protegia seus olhos usando o jaleco como escudo, sentiu medo, sentiu que talvez tivesse ido longe demais, mas agora era tarde, iria saber o fruto de sua obsessão.

De repente tudo cessou. Todos os sistemas se desligaram inclusive a energia elétrica do prédio, que após alguns segundos em um breu completo se reacenderam normalmente, rápido demais para que alguém notasse. O silêncio era perfurante no estômago gelado do jovem que se dirigia lentamente para a cabine de onde algum gás branco escapava pelas bordas que haviam perdido a vedação. Olhou com o rosto bem de perto antes de abrir, mas não conseguiu enxergar nada. Abriu lentamente a caixa de vidro, e o gás branco começou a escapar rapidamente para revelar o seu conteúdo, que para seu espanto era uma pessoa.

-Dieu! Où suis-je?! Qui êtes-vous? – Berrou aquele ser humano que arregalava os olhos muito verdes para tentar entender o que se passava olhando para as estranhas vestes do rapaz e mais estranhas ainda instalações do laboratório.

Em choque, o jovem estudante em absolutamente nada conseguia pensar de modo que sentiu as pernas fraquejarem e a vista escurecer, procurou em vão atrás de si algo que pudesse agarrar para evitar a queda e última coisa que viu antes de desmaiar fora o longo arco rústico atravessado nas costas do viajante do tempo que saía em disparada em direção à porta do laboratório.

CONTINUA

Motoboy Mascarado

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