Uma ficção Histórico-Científica: Henri de Toulousse parte 2
6 fevereiro, 2010 | em: Contos
Pessoal, conforme prometido segue a segunda parte do conto! Apprécier!
Um ano depois, à exceção do fatídico evento com a máquina do tempo construída pelo jovem, Newton era o seu nome, pouca coisa ou nada mudara em sua vida. O projeto havia sido um fracasso, porém no semestre seguinte refez seus planejamentos e montou uma teoria qualquer que entupisse as estantes da biblioteca nos cadernos de graduação. Tirou a nota máxima, pois sabia que os medíocres têm destaque e sucesso, inovação e opinião formada só serviam para redação de vestibular. Graduou-se, foi contratado pela empresa onde fez estágio, uma fábrica de armas, ganhava seu dinheiro fazendo cálculos e projeções virtuais das armas reais.
Nunca esquecera o ocorrido naquele dia em que descobrira as potencialidades das partículas cromos e o trabalho que teve para explicar à reitoria de como o laboratório acabara em completa desordem. Naquele dia, porém, abriu o jornal pela manhã para ver as notícias do dia e as tirinhas do Kalvin, suas preferidas. Nada de mais na primeira página, resolveu pular diretamente para as tirinhas e após rir soltamente toda a tensão da musculatura de sua face retornou ao ver o que estava escrito logo acima: Orbituário.
Parou o Uno Mille ano 98 bem encostado à calçada, em frente ao IML, um prédio sóbrio e sombrio. A passos largos caminhou em direção à recepção onde o ex-colega de faculdade o aguardava. Cumprimentaram-se brevemente e seguiram para a câmara fria onde os corpos ficavam distribuídos em gavetas. Ao entrar avistou alguns peritos que abriam uma das gavetas para verificar coisa qualquer e riam descontraidamente. Aquele lugar lhe dava arrepios, mas Newton mantinha-se impassível em sua expressão.
-Esse cara aqui chegou ontem à tarde, sem carteira de identidade, sem CPF, não consta nada no registro policial. É um fantasma. – Newton apenas ouvia atentamente e observava os verdes olhos que quando vira antes estavam tão arregalados que era possível ver as órbitas brancas do globo ocular. O homem prosseguiu – Foi encontrado em frente a uma agência dos correios no interior do estado, passou alguns dias no hospital mas quando injetaram a medicação o cara surtou, pelo menos é o que tá escrito aqui.
-Pertences pessoais?
-Além das roupas maltrapilhas um canivete esquisito e uma carta.
-Posso ver?
-Uhum – Disse o homem com o canto da boca fechada por um cigarro fumegante pendendo para o lado enquanto as mãos se ocupavam em fechar a gaveta onde o cadáver se encontrava.
Saíram da câmara fria e se dirigiram ao escritório, lá havia vários arquivos em gaveta, o homem puxou um deles com rapidez fazendo as pastas dançarem lá dentro. Uma pequena caixa de metal surgiu e a abriu com destreza, pegou a carta, mas logo antes de colocar nas mãos de Newton parou.
- O que foi?
O homem o fitou longamente em silêncio enquanto baforava o cigarro suspenso entre os lábios. Finalmente abriu a boca e disse:
- Esse momento nunca existiu. Entendido?
-Entendido.- Newton agarrou o envelope e passou o olho, estava tudo em alguma língua estrangeira, provavelmente francês. Enfiou no bolso do casaco jeans, agradeceu ao ex-colega e saiu dali o mais rápido que podia caminhar.
CONTINUA
Motoboy Mascarado

